Dia do Teólogo

Hoje além de comemorarmos o Santo “Pontífice” São Tiago Apóstolo, comemoramos o dia do Teólogo, instituído, pela LEI Nº 4.504 de Janeiro, em 1991.

Em todo Brasil essa data é marcada por comemorações e atividades alusivas ao estudioso das religiões. Mas, afinal, o que é um Teólogo? Teólogo é aquele que procura tornar a religião um saber racional, no caso, um saber chamado teologia (estudo de Deus: teo = Deus; logia = estudo). Sua atitude diante da religiosidade é quase sempre objetiva, um paradoxo, uma vez que a religião em si e mais precisamente a fé tem caráter subjetivo. Embora o teólogo possa ser um religioso, é preciso diferenciar.

Uma coisa é ter fé, outra é estudar os fenômenos da fé. Para o primeiro caso, basta crer, acreditar num dogma ou numa doutrina como verdade a ser vivida. No outro, esta mesma fé será interpretada, inquirida e, consequentemente, racionalizada. Como diria Santo Agostinho: “Crê para compreender e compreende o que crês!” ou seja, é imperativo aos teólogos renderem-se a fé e é no exercício da fé que por graça e dignidade próprias é concedida à razão fermentas próprias para conduzi-los à compreensão, então somos verdadeiramente aptos a dar a razão de crível do que cremos. Não apenas de ouvir falar, mas pelo serio perscrutar.

A imagem que algumas pessoas fazem de um teólogo é de alguém que está constantemente enclausurado no último aposento de uma casa, às voltas com obras raras, escritas em dialetos desconhecidos do grande público ou com livros pesados e grossos. Algo assim como no filme o Nome da Rosa, não? Mas, na verdade, um teólogo é uma pessoa bem mais próxima de nós do que pensamos.
Ele presta serviços de consultoria a escritores, por exemplo, que estejam usando a religião para contar alguma história ou fornece orientação a grupos religiosos em geral, principalmente organizações não-governamentais.

Outra confusão que é feita com frequência: um padre ou um pastor podem ser um teólogo, mas um teólogo nem sempre é um religioso. Podemos encontrar um teólogo dando aulas em cursos universitários da área de ciências sociais, como Letras, Antropologia ou Sociologia. Aliás, é cada vez maior nos meios acadêmicos a intertextualidade entre as disciplinas. E em relação à teologia isso é sentido de forma evidente. Trata-se de um fenômeno recente a redescoberta da leitura teológica do mundo nas áreas de ensino voltadas para o conhecimento do comportamento humano em geral.

Posto que a fé é uma possibilidade da natureza humana, nenhuma ciência que verse sobre o homem é plena sem avaliar o dado fé. O que quer um teólogo? Um teólogo procura a tempo e a hora tornar a religião em um saber racional, no caso, um saber chamado teologia (estudo de Deus: teo = Deus; logia = estudo). O que um teólogo estuda? Basicamente o teólogo formado estuda e analisa as diversas religiões do mundo e sua influência sobre o homem do ponto de vista antropológico e sociológico. Sua principal fonte de pesquisa são os textos sagrados e as doutrinas e dogmas religiosos.

Com isso procura explicar de que forma as crenças, com o decorrer do tempo e da história, modificam ou eternizam as maneiras do homem interagir na sociedade.
Nos cursos de teologia, a grade curricular varia de instituição para instituição. Algumas dão maior importância à análise das religiões em si, enquanto outras se debruçam mais sobre os textos sagrados. De qualquer forma, um estudante de teologia – o futuro teólogo – deverá ler muito e participar de muitos debates em sala de aula sobre as bases e a história das religiões.

Sua atitude diante da religiosidade é quase sempre objetiva, uma vez que a religião em si e mais precisamente a fé tem caráter subjetivo. Uma coisa é termos fé, outra é estudarmos os fenômenos da fé. Para o primeiro caso, basta crer, acreditar num dogma ou numa doutrina como verdade a ser vivida. No outro, esta mesma fé será interpretada, inquirida e, consequentemente, racionalizada e compreendida, isto para dar mais qualidade ao que se Crê, para dar beleza, corpo e poder à Fé. O teólogo, então, é aquele que deseja ser os olhos da razão dentro de uma experiência que normalmente é vivida sem questionamentos.

A principal temática do pensamento do teólogo se voltava à questão da razão e da fé, de como relacioná-las. É preciso, crer para compreender? Ou, é preciso necessariamente primeiro compreender, para somente depois crer? É preciso ter fé para compreender, ou se o contrário, se é necessário entender para a partir de então, passar a crer? Santo Agostinho tentou explicar de forma racional a fé. Em seu pensamento, é preciso primeiro crer, para depois entender.

Pois se não é crível ao menos em hipótese, a existência da luz, como explicar as cores, que são refrações de luz, ou as trevas que são inexistência de luz?
Posto que Deus é o criador de tudo e somente ele cria e governa tudo, todos os seres, todas as coisas, é a “Luz”. Tudo tem sua essência divina por causa de sua criação, Refração, “Cores”.
Deus, o criador do universo, é imensamente perfeito e absoluto, não se encontra no espaço e no tempo, está acima de tudo isso.

Se Deus fizesse parte do tempo, não seria Deus, mais que uma das “cores”. Só os seres fazem parte do espaço e do tempo. Deus é infinito e bom, “A Luz” decore disso, que fora Dele, trevas. O Teólogo decide fazer experiencia da Hipótese de que, somente Deus dá a graça reveladora da fé ao homem, e este, por sua vez, conhece Deus por meio do verbo, que atualiza todas as potencias. E neste entendimento vê revelar-se e desvelar-se por meio da fé, o homem, e passa a compreender o mundo.

O teólogo parte do pressuposto, de que Deus não é somente um conceito, porque se o fosse, seria imperfeito. O conceito se reduz à fala, à linguagem. Deus é além da fala e sua essência está em tudo, é causa de tudo, é na suma essência o que torna os finitos aspirantes ao infinito. É preciso exercer a fé, o exercício da fé leva à compreensão, então e somente então que a razão encontra sua razão de ser. O teólogo crê ser a razão do homem, capaz de coabitar com o conhecimento eterno e imenso do divino, não ao ponto de abarca-lo, mas de deliciar-se em contempla-lo.

Só o teólogo entende a felicidade e a libertação de quem teve a humildade de expressar de forma positiva este pensar “Fizeste-nos Senhor para Vós e nosso íntimo “Coração” está inquieto enquanto não descansar em Vós.” O teólogo é um “Filótheos” um amigo de Deus que sente saudade imensa de algo não abarcado pela memória passada, mas desejado como posse futura.
Ele crê que vivemos para treinar nossos olhos no finito, para reconhecer o infinito. “Contemplar = estar no mesmo templo” é para ele nada mais que voltar para casa, mesmo que não nos lembremos bem de como ela é, não cala-se o desejo de revê-la.

Caros teólogos, Irmãos filótheos, colegas, alunos e mestres… Feliz e abençoado dia do “teólogo”.

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